sábado, 28 de fevereiro de 2009


PATATIVA DO ASSARÉ – Autobiografia




Eu nasci no dia 5 de março de 1909, no lugar denominado Serra de Santana, que fica no interior do Estado do Ceará, pertencendo ainda à região do Cariri. A Serra. de Santana está distante da cidade de Assaré 18km. O meu pai, um pobre agricultor, Pedro Gonçalves da Silva, e minha mãe, Maria Pereira da Silva. Deste casal, nasceram cinco filhos: José, Antônio, Joaquim, Pedro e Maria. Eu sou o segundo filho, o Antônio Gonçalves da Silva. Quando meu pai morreu, eu fiquei apenas com 9 anos de idade. Meu pai morreu muito moço. E eu, ao lado dos meus irmãos e da minha mãe, tivemos que enfrentar a vida de pobre agricultor, no diminuto terreno que o meu pai deixou como herança. Na idade de 12 anos, eu freqüentei uma escola lá mesmo no campo, onde vivia e onde ainda estou vivendo. Nesta escola, o professor era muito atrasado, embora muito bom, muito cuidadoso, mas o coitado não conhecia nem sequer a pontuação. Eu aprendi apenas a ler, sem ponto de Português, sem vírgula, sem ponto, sem nada, mas, como sempre, a minha maior distração sempre foi a poesia e a leitura. Quando eu tinha tempo, chegava da roça, ao meio-dia, ou à noite, a minha distração era ler, ler e ouvir outro ler para mim, o meu irmão mais velho, José. Ele lia sempre os folhetos de cordel e foi daí de onde surgiu a minha inspiração para fazer poesia. Eu comecei a fazer verso com 12 anos de idade. E continuei sempre na vida de agricultor e ali entre os meus irmãos e ao lado da minha mãe. Com 16 anos, eu comprei uma viola e comecei a cantar de improviso. Naquele tempo, 16 anos, eu já improvisava, mesmo glosando, sem ser ao pé da viola. Comprei a viola e comecei a cantar também, não fazendo profissão. Eu cantava assim por esporte, atendendo convite especial, renovação de santo, casamento que não ia haver dança, também aniversários de pessoas amigas. O certo que eu só cantava ao som da viola atendendo convite especial.

Com 20 anos de idade, um primo legítimo da minha mãe, um negociante que aos 15 anos havia saído do Assaré e que morava no Pará, veio visitar a família. Então foi à casa da minha mãe e me ouviu cantar ao som da viola. Ficou encantado e maravilhado com os meus improvisos e pediu carinhosamente à minha mãe para que deixasse eu ir com ele ao Pará, que custearia todas as despesas e ela não tivesse cuidado que eu voltaria quando quisesse. Então, a minha mãe, muito chorosa, pela amizade e atenção que tinha ao primo, consentiu que eu fosse. Eu viajei ao Pará, eu tinha 20 anos naquele tempo. Viajei com meu tio. Chegando lá, ele me apresentou ao escritor cearense José Carvalho de Brito, autor do livro "O Matuto Cearense e o Caboclo do Pará", em cujo volume eu tenho um capítulo. José Carvalho me recebeu com a maior atenção e me pediu uns versos para publicar no "Correio do Ceará". Ele era redator do "Correio do Ceará". Ele colaborava no "Correio do Ceará". Então, no final dos versos, ele faz a apreciação dele, fazendo uma referência sobre os meus versos e disse que a espontaneidade da minha poesia se assemelhava com o canto sonoro da patativa do Nordeste, a nossa patativa aqui do Ceará. E então o jornal circulou daquele tempo para cá. Eu já com 20 anos, foi que começaram a me chamar Patativa. Posso dizer que foi José Carvalho de Brito que pôs esse apelido que o povo hoje conhece, esta alcunha. Patativa do Assaré. Depois começou a surgir outro Patativa por aí afora também fazendo verso, cantando ao som da viola, e o povo, para distinguir, quando se falava de uma poesia que o povo gostava, perguntava logo: é do Patativa do Assaré? Só quero se for do Patativa do Assaré, sendo do Patativa do Assaré eu quero. Então começaram a me tratar Patativa do Assaré. E com muito direito, porque Assaré é a minha terra, a minha cidade. Sim, como eu ia dizendo, lá em Belém do Pará eu desci para Macapá, onde morava outro primo legítimo da minha mãe. Lá eu passei um dia, mas achei a vida muito trancada, uma vida insípida, uma vida sem distração, eu só podia sair de dentro de uma casa se fosse levado por pessoa, porque lá a gente sai de dentro de casa já é na canoa, desce da porta não é escada, sai de dentro da canoa e então vai pra outra casa, que é tudo alagado. E então eu não agüentei e passei apenas 2 meses lá. Voltei a Belém do Pará, para casa do outro tio. Daí fui às colônias do Pará, cantei com os cantadores das colônias, Francisco Chagas, Antônio Merêncio, Rufino Galvão, mas a saudade danada não me deixou demorar mais no Pará. Passei apenas 5 meses e tantos dias e voltei ao Ceará.

De volta ao Ceará, José Carvalho de Brito, que era muito amigo da Dra. Henriqueta Galena, filha do afamado poeta Juvenal Galeno, me deu uma carta de recomendação para a Dra. Henriqueta Galeno. Eu, chegando aqui, entreguei a carta, ela leu e me recebeu no salão de Juvenal Galeno, como ela sempre recebeu um poeta de classe, um poeta de cultura, um poeta erudito. Ali fiz alguns improvisos, cantei ao som da viola, porque eu trazia minha viola. Então eu voltei novamente ao Assaré, 5 meses e tantos dias. Cheguei lá, recomecei a minha vida de roceiro, sempre trabalhando e sem nunca mais viajar, porém sempre fazendo versos. E já tinha uma farta bagagem de produções, quando o latinista José Arraes de Alencar, vindo do Rio de Janeiro, onde ele morava, foi visitar a D. Silvinha, a sua mãe e ouviu o programa na Rádio Araripe, onde eu estava recitando versos. Perguntou de quem era, quem era aquela pessoa que recitava aqueles versos tão dignos de atenção e próprios de divulgação. Aí disseram a ele que era um caboclo, um roceiro, um agricultor. Então ele mandou me chamar. Eu fui à presença dele, ele ficou muito satisfeito, recitei muita poesia pra ele, pois a minha bagagem, que dava um volume, eu tinha toda na mente, toda guardada na memória, e ele perguntou: "Por que você não publica esta poesia, esta coisa tão admirável que você tem, tantos versos próprios de divulgação?". Eu respondi: "Doutor, porque eu não posso, eu sou muito pobre, sou roceiro, nem sequer nunca pensei em publicar alguma coisa". Ele disse: "Pois você vai publicar seu livro. Eu publico seu livro e você pagará o impresso com a venda do próprio livro". Então eu respondi: "Doutor, e se o livro não tiver sorte, como é que acontece?". Então ele disse: "Você é um vencido não tem coragem. E com certeza a sua honestidade é grande. Ficou com medo de ficar devendo algum dinheiro? Não, não acontecerá isso. E, se assim acontecer, você não ficará devendo um vintém a seu ninguém. Você não tá pedindo para ninguém publicar seu livro". E na presença estava Dr. Moacir Mota, que era gerente do Banco do Brasil na cidade do Crato, filho do saudoso Leonardo Mota, poeta, se ofereceu para datilografar as minhas produções, sem me cobrar um vintém. E assim fez. A cópia foi datilografada na cidade de Crato pelo Dr. Moacir Mota, foi remetida para o Rio de Janeiro, lá o Dr. José Arraes de Alencar, esse latinista, homem de profundo conhecimento, publicou meu livro na editora Borçoi e remeteu para o Banco do Brasil, foi guardado no Banco do Brasil, de onde eu tirava os volumes e vendia aí pelo Assaré, no meio do meu conhecimento. Fizemos lançamento também no Crato. O certo é que eu paguei com facilidade o impresso deste livro. No ano de 66, o mesmo livro foi editado, a 2ª. edição, com o aumento de um livrozinho que eu tinha, com o título "Cantos de Patativa". "Cantos de Patativa" era um livrozinho que eu tinha, um livro inédito, com o qual eu ampliei o "Inspiração Nordestina", na sua 2ª. edição, na mesma editora Borçoi, no Rio de Janeiro onde estive 4 meses. Lá na Rio de Janeiro, quando saiu a tiragem do meu livro, eu tive um dos prazeres maiores da minha vida. É que lá, eu sem conhecimento para a venda do livro, e o Borçoi, o dono da editora, publicou fazendo o mesmo negócio, para eu pagar com a venda do próprio livro, eu dando apenas uma entrada de meu. Aí então eu sabendo que no Ceará era onde eu podia vender com facilidade, fui à presença do Dr. Borçoi e falei para ele: "Doutor, eu venho aqui tratar de negócios com o senhor. É que meu livro aqui eu não posso vender com facilidade, não tendo conhecimento, sou muito tímido, sou muito pessimista e eu vou voltar ao Ceará, que lá eu vendo e então enviarei o dinheiro. Venho para que a gente assine aqui um documento, uma promissória de tudo". E ele respondeu: "Poeta, tem quatro meses que você está aqui no Rio, eu já estou lhe conhecendo, já conheço assim, fiquei conhecendo a sua índole, a sua honestidade, a sua capacidade. Olha, volta lá para o teu Ceará, com os teus livros, eu apenas te dou este cartão do banco para onde você vai remeter o dinheiro e pode me pagar parceladamente e eu estou confiando e sei que recebo o dinheiro". Ora, eu voltei muito satisfeito dele me confiar e, se eu tinha desejo de pagar com brevidade, ainda mais me cresceu esse desejo de fazer isso com a maior facilidade.

No ano de 70, o Prof. J. de Figueiredo Filho publicou um livro. Esse livro eu não posso dizer que ele é meu, porque o comentarista do livro é o J. de Figueiredo Filho. A poesia é toda minha, mas o livro foi apresentado por ele, que é: "O Patativa do Assaré". Ele mesmo se explica e diz: "O livro é meu? Não, o livro não é meu. O livro é do poeta Patativa. Eu sou apenas o comentarista do livro, sou apenas o apresentador". Então o "Patativa do Assaré" já foi esgotado. O "Inspiração Nordestina" foi também esgotado. Eu só tenho publicado os meus livros por iniciativa dos homens de cultura, como agora mesmo o "Cante Lá que eu Canto Cá". O "Cante lá que eu Canto Cá" foi iniciativa do homem de letras, o prof. Plácido Cidade Nuvens.

Ele veio a mim e disse: "Olhe, vamos publicar seu livro, o livro, um novo livro". Eu disse: "Você pode?". "Posso, porque a Fundação Pe. Ibiapina está aqui é para trabalhar e apresentar aquilo que de melhor tem na região e eu não vejo outra coisa melhor do que a sua capacidade de fazer versos, essa sua cultura popular, esse seu pensamento de penetrar em todos os assuntos sociais e cantar a vida do povo. E nós vamos publicar o seu livro. Eu mesmo serei o portador para me entender com a Editora Vozes, faço negócio e então vamos publicar o seu livro. Eu faço isso não é interesse de você ganhar dinheiro porque o poeta, aqui no Brasil, ele não ganha dinheiro, mas ele é a riqueza da divulgação. É um documentário que eu quero deixar aqui na Fundação Pe. Ibiapina e esse documentário ficará não só aqui como em outros lugares". E assim foi, a minha vida tem sido assim. Tudo isso sem eu deixar meu trabalho de roça. Eu nunca de mim próprio procurei voluntariamente publicar um livro. São os apreciadores, os interessados pela cultura popular que me procuram, pois até mesmo da Inglaterra veio o Dr. Collin a minha casa, passou aí três dias, conversou muito comigo, é um escritor que já escreveu, já tem livros publicados, ele tem um livro de título “Gente da Gente”, que é sobre os índios da Guiana. Recebi uma carta desse escritor, Dr. Collin, lá de Londres, pedindo licença para traduzir o meu livro "Cante Lá que eu Canto Cá" em língua inglesa. Eu disse a ele que sim. E ele disse: "Olha, Patativa, o apresentador e o tradutor, que sou eu, não quero ganhar um centavo neste trabalho. Será todo seu. E você querendo poderá oferecer à Fundação Pe. Ibiapina". Pois bem, isto aqui é uma história, é uma parte da história da minha vida. Tudo isso eu tenho feito sem deixar o meu trabalho de roça lá na Serra de Santana, lugar onde eu nasci, tenho vivido e hei de viver o resto da vida, porque nunca me habituei à vida da cidade, sempre o meu mundo foi a minha poesia e a minha família e onde eu quero viver o resto da vida. E ali mesmo eu hei de morrer, se Deus quiser, um dia, feliz.

Voltando do Pará e demorando uns dias aqui em Fortaleza, fui parar no Assaré. Lá recomecei minha vida de agricultor, nos meus 21 anos de idade. Quando cheguei aos 25 anos de idade, eu me casei com uma serrana, uma rapadeira de mandioca, uma cabocla que eu já conhecia desde menina, que é a Belarmina Gonçalves Cidrão, conhecida por Belinha. Aí comecei, recomecei, continuei, continuei a minha vida de casado, me senti muito feliz, e essa felicidade ainda hoje continua. Sou pai de sete filhos, quatro homens e três mulheres: Afonso, Pedro, Geraldo, João Batista, Lúcia, Inês e Miriam. É esta a minha família, é esse o meu mundo em que me sinto feliz e vivo entre eles e é por isso que eu quero estar sempre na Serra de Santana, pois é onde está toda essa minha família, todos continuando na vida do velho Patativa, tratando da agricultura, naquela vida pobre do camponês. A minha esposa muito paciente, muito trabalhadora, muito carinhosa e, graças a Deus, já estou com 70 anos, mas minha felicidade sempre continua, porque a felicidade, para mim, não é possuir dinheiro, não é ser um fazendeiro, não é esse estado financeiro muito franco. A felicidade consiste em a pessoa viver dentro da harmonia com todos e principalmente com seus familiares. E é por isso que me sinto muito feliz.

Em 1973, sendo convidado aqui para o sesquicentenário de Fortaleza, no mês de agosto, tive a infelicidade de ser acidentado. Ia atravessando a Av. Duque de Caxias, fui colhido por um carro e, quando recobrei os sentidos, eu já estava em cima da cama de operação, no hospital, e então foi uma infelicidade para mim. Bota gesso, tira gesso, e ali passei 11 meses e não recuperei. Então resolvi ir ao Rio de Janeiro, pois eu tenho parentes e amigos. Dr. Mário Dias de Alencar, que é meu parente e é filho de Assaré, mandou me buscar para o Rio de Janeiro. Ele não é ortopedista, ele é operador de outras coisas, viu? Mas me pôs lá no Hospital S. Francisco de Assis, onde um professor de ortopedia operou minha perna, pelejou, ainda houve duas operações, mas lá já cheguei retardado e foi obrigado a pôr um aparelho ortopédico. Com o auxílio do mesmo é que eu vivo me locomovendo e ando, vou por onde quero. Queriam amputar minha perna, mas eu me danei, não deixei. Não deixei, não. Eu não queria minha perna cortada, não. E o médico teimou comigo e disse: "Você não vai agüentar é um aparelho ortopédico, dói muito e você talvez até ainda tire ele pra mandar amputar a perna". Então fiz a seguinte pergunta: "Doutor, há perigo de infeccionar? A perna vai infeccionar com este aparelho ortopédico?". Ele disse: "Não, não infecciona, não. Dói é muito pra que você possa se acostumar". Eu digo: "Ah, doutor, pois eu já sei que me acostumo. Eu sou é cabeça do mato, acostumado a levar pancada de pau quando estou brocando, coice de animais, quanta coisa tem. Eu já tô acostumado com o embate da vida". Aí então botou o aparelho ortopédico, doeu por mim, parente, amigo, o diabo a sete, mas me acostumei e hoje estou andando para onde quero, embora com dificuldade, mas não me dói. Em compensação eu não relembro aquele verso, mas pelo menos meu acidente foi no dia 13 de agosto e eu não tenho superstição. E o povo sempre comentava: "Mas Patativa, além de ser no mês de agosto, ainda mais no dia 13. Você foi muito infeliz, porque este mês, não sei o quê...". Então fiz este soneto:

    Foi a 13 de agosto que um transporte

    me colhendo quebrou a minha perna

    e ainda hoje padeço o duro corte

    que me aflige, me atrasa e me consterna.

    Diz alguém que esta data é quem governa

    os desastres, nos dando triste sorte

    apesar da ciência tão moderna

    nossa estrela se apaga e não tem norte.

    Mesmo sofrendo a minha sorte crua,

    não direi nunca que esta culpa é tua

    13 de agosto de 73.

    Porém, tratado com desdém será

    e a classe ingênua não perdoará

    porque te chama de agourento mês.

Eu sou um caboclo roceiro que, como poeta, canto sempre a vida do povo. O meu problema é cantar a vida do povo, o sofrimento do meu Nordeste, principalmente daqueles que não têm terra, porque o ano presente, este ano que está se findando, não foi uma seca, podemos dizer que não foi a seca. Lá pelo interior, mesmo no município de Assaré, lá no Assaré, tem duas frentes de serviço, com muita gente. Mas naquela frente de serviço nós podemos observar que é só dos desgraçados que não possuem terra. Os camponeses que possuem terra não sofrem estas conseqüências e não precisam recorrer ao trabalho de emergência, como os agregados e esses outros desgraçados trabalham na terra dos patrões. E é isso que eu mais sinto: é ver um homem que tanto trabalha, pai de família e não possui um palmo de terra. É por isso que é preciso que haja um meio da reforma agrária chegar, uma reforma agrária que chegue para o povo que não tem terra. Por isso eu digo neste meu soneto "Reforma Agrária":

    Pobre agregado, força de gigante,

    escuta, amigo, o que te digo agora.

    Depois da treva vem a linda aurora

    e a tua estrela surgirá brilhante.

    Pensando em ti eu vivo a todo instante

    Minh´alma triste, desolada chora

    quando eu te vejo pelo mundo afora

    vagando incerto qual judeu errante.

    Para saires da fatal fadiga

    do invisível jugo que cruel te obriga

    a padecer situação precária,

    lutai altivo, corajoso e esperto

    pois só verás o teu país liberto

    se conseguires a reforma agrária.

Esta luta pela reforma agrária e pelo sindicato dos camponeses, mas o verdadeiro sindicato conduzido pelos próprios camponeses, procurando, reivindicando os seus direitos, é preciso que continue até chegar o tempo do camponês sofrer menos do que vem sofrendo. Precisa fazer como eu digo nos meus versos "Lição do Pinto", pois o pinto sai do ovo porque trabalha. Ele belisca a casca do ovo, rompe e sai. É assim que o povo também deve fazer, unido sempre, trabalhando.

Entrevista concedida a Rosemberg Cariry, no Crato, em 1979.



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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Cronologia

CRONOLOGIA DE PATATIVA

Datas, efemérides e eventos mais relevantes da vida do poeta serão abordados no documentário através de fotos, filmes, depoimentos, vídeos, reportagens de jornais, etc.

1909 – Nasce dia 05 de março, na Serra de Santana, a 18 km de Assaré, filho de Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva, pequenos proprietários rurais.
1913 – Perde um olho em decorrência de uma doença.
1917 – Morte do pai, a 28 de março. A pequena propriedade da família, na Serra de Santana é dividida entre os filhos José, Antônio, Joaquim, Pedro, Maria e Mercês.
1920 – Trabalha no campo, na serra de Santana.
1921 – Alfabetizado por meio do livro de Felisberto de Carvalho. Fica menos de seis meses na escola.
1922 – Começa a fazer “versinhos que serviam de graça para os serranos”.
1925 – Vende uma ovelha para comprar a primeira viola. Passa a se apresentar nos sítios e festas da região.
1928 – Viagem a Belém do Pará, onde ganha de José Carvalho de Brito, jornalista e advogado do Crato, aí radicado, o epíteto de Patativa. Apresenta-se nas “colônias”, núcleos de nordestinos que migraram para o Pará. Faz o percurso, pela da linha férrea, de Belém a Bragança.
1929 – De volta ao Ceará, visita a Casa de Juvenal Galeno, onde se apresenta em noite festiva e tem o privilégio de conhecer o poeta das “Lendas e Canções Populares”.
1931 – Citado no livro “O matuto cearense e o caboclo do Pará”, de José de Carvalho, que relembra o episódio do encontro com o jovem poeta.
1936 – Casa-se, dia 6 de janeiro, com Berlamina Paes Cidrão, a dona Belinha.
1940 – Apresenta-se com violeiros, como João Alexandre, nos sítios e festas do Cariri.
1955 – Conhece José Arraes de Alencar, que toma a iniciativa de transcrever seus poemas por meio de Moacir Mota, filho de Leonardo Mota.
1956 – Publicação de “Inspiração Nordestina”, por Borsoi Editor, do Rio de Janeiro.
1962 – Apresenta-se no São João Popular, no sítio Trindade, em Recife, promovido pela Administração Miguel Arraes.
1964 – Luiz Gonzaga grava “A Triste Partida”.
1970 – Publicação de “Patativa do Assaré- Novos Poemas Comentados” de J. Figueiredo Filho.
1972– Raimundo Fagner música e grava “Sina”, no disco “Manera Fru-Fru”, poema cuja autoria seria reconhecida posteriormente.
1973 – Atropelado quando atravessava a avenida Duque de Caxias, em Fortaleza, dia 13 de agosto.
1978 – Lançado “Cante lá que eu canto cá”, com o selo da Editora Vozes.
1979 – Passa a residir em Assaré, à rua Coronel Pedro Onofre nº 27, Praça da Matriz.
  • Homenageado pela programação cultural do encontro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC, em Fortaleza.
  • Grava o disco “Poemas e Canções”.
  • Participa do disco “Soro”, de Raimundo Fagner
  • Participa da campanha pela Anistia aos presos políticos brasileiros.
  • Personagem de “Patativa do Assaré”, filme super-8 de Rosemberg Cariry.
  • Participa da Massafeira Livre, dias 15 a 18 de março, no Theatro José de Alencar, show lançado em disco com o selo Epic (CBS), no ano seguinte.

1980 – O cantor Fagner grava “Vaca Estrela e Boi Fubá (CBS)
1981 – Lança o disco “A terra é naturá”.
  • Apresenta-se no programa Som Brasil, da Rede Globo, dia 31 de outubro.
1982 – Recebe o diploma de “Amigo da Cultura” outorgado pela Secretaria da Cultura do Estado, pela “decidida atuação a favor do aprimoramento cultural do Ceará”.
  • Cidadão de Fortaleza, título aprovado pela Câmara Municipal.
1984 – Participa da campanha pelas “Diretas Já” e sobe ao palanque, em Fortaleza, para dizer poemas, ao lado de lideranças políticas nacionais.
  • Publicação de “O metapoema em Patativa do Assaré: uma introdução ao pensamento literário do poeta”, de Francisco de Assis Brito, pela Faculdade de Filosofia do Crato.
  • Vídeo “Patativa do Assaré”, realizado pelo Projeto Experimental dos alunos do Curso de Comunicação Social da UFC, com apoio da TV Educativa.
  • “Patativa do Assaré – Um Poeta do Povo”, filme de Jefferson Albuquerque Jr. E Rosemberg Cariry, em 16mm, ampliado para 35mm, em cores, premiado na Jornada Internacional de Cinema da Bahia.
1985 – Faz a letra de “Seca d’Água”, criação coletiva para angariar fundos para as vítimas das enchentes que assolaram o Nordeste naquele ano.
  • Lança o disco “Patativa do Assaré”, coletânea de poemas editados em outros discos, um projeto cultural do Banco do Estado do Ceará.
1986 – Apóia a candidatura de Tasso Jereissati ao governo do Estado do Ceará.
1987 – Recebe a “Medalha da Abolição”, pelos “relevantes serviços prestados ao Estado”
1988 – Publica o livro “Ispinho e Fulô”, pela Imprensa Oficial do Ceará. Produção e prefácio de Rosemberg Cariry.
  • Submetido a cirurgia em clínica oftalmológica de Campinas (SP)
1989 – Enredo da “Escola de Samba Prova de Fogo”, do Crato
  • Doutor Honoris Causa da Universidade Regional do Cariri – URCA
  • Seminário “80 anos de Patativa do Assaré”, promoção da URCA.
  • Lança o disco “Canto Nordestino”, produzido por Rosemberg Cariry.
  • Inauguração da rodovia “Patativa do Assaré”, com 17 km, ligando Assaré a Antonina do Norte, pelo governador Tasso Jereissati
  • Apresentação de Patativa do Assaré e Théo Azevedo, no Teatro das Nações (Av. São João, 1737), em São Paulo.
  • Evento “Patativa do Assaré-80 anos de vida e poesia”, dia 30 de novembro, no BNB Clube, em Fortaleza.
  • Apresentação de Patativa do Assaré com Fagner, no Memorial da América Latina, em São Paulo, de 7 a 9 de dezembro.
1990 – Participação no evento “Fortaleza das Violas”, no BNB Clube, em Fortaleza, dias 26 e 27 de janeiro, como convidado especial, juntamente com Otacílio Batista e Geraldo Amâncio.
  • Lançamento do disco “Patativa do Assaré - 80 Anos de Luz”, com apoio da Prefeitura Municipal de Assaré, Urca, Secretária da Cultura do Estado e Associação dos Artistas e Amigos da Arte, de Juazeiro do Norte.
1991 – Enredo da Escola Acadêmicos do Samba, de Fortaleza
  • Lança o livro “Balceiro”, organizado por ele e por Geraldo Gonçalves, que reúne parte da produção dos poetas de Assaré, publicado pela Secretaria da Cultura do Estado/ IOCE. Prefácio de Rosemberg Cariry.
1992 – Apresenta-se na ECO-92, No Rio de Janeiro
1993 – Participa da novela “Renascer”, da rede Globo de Televisão.
  • Entrevistado pelo programa Jô Onze e Meia, do SBT.
  • Lança a caixa “Cordéis do Patativa”, editada pela Secult com apoio da Prefeitura Municipal de juazeiro do Norte, na Casa de Juvenal Galeno, em Fortaleza, dia 20 de novembro. Organização do prof. Gilmar de Carvalho.
1994 – Lança o livro “Aqui tem coisa” na I Feira Brasileira do Livro de Fortaleza
  • Documentário “O Vôo da Patativa”, com roteiro de Oswald Barroso e direção de Ronaldo Nunes, produzido pela TV Ceará.
  • Grava o disco “Patativa 85 anos de Luz e Poesia”.
  • Evento “Patativa do Assaré - 85 anos de Fidelidade e Amor à Poesia e a sua Gente”, dias 4 e 5 de março, em Assaré.
  • Inauguração do Centro de Cultura Popular Patativa do Assaré, à rua Euclides Onofre, dependências da antiga usina, em Assaré (depois desativado).
  • Morte de Dona Belinha, dia 15 de maio.
  • Sócio honorário do Museu do Gonzagão, em Exu (PE).
1995 – Lançamento de “Patativa e o Universo Fascinante do Sertão”, de Plácido Cidade Nuvens.
  • Recebe o “Prêmio Ministério da Cultura”, categoria Cultural Popular.
1997 – Seminário “88 anos de Patativa do Assaré”, promovido pela URCA e Secretaria de Cultura do Estado, no Crato.
  • Lançamento do cd “Patativa 88 anos de Poesia”.
  • Inauguração da Rádio Comunitária Patativa do Assaré, em sua cidade Natal.
  • Defesa da dissertação “A linguagem regional popular na obra de Patativa do Assaré”, de Maria Silvana Militão de Alencar, no Mestrado em Lingüística e Ensino da Língua Portuguesa da UFC, dia 05 de dezembro de 1997, sob a orientação da Dra. Maria do Socorro Silva de Aragão.
1998 – Álbum de xilogravuras “Patativa – Vida Poesia”, com 16 matrizes em umburana, de autoria de José Lourenço Gonzaga.
  • Recebe, dia 22 de maio, a “Medalha Francisco Gonçalves de Aguiar”, do Governo do Estado do Ceará, outorgada pela Secretaria de Recursos Hídricos.
  • Sessão solene da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, dia 10 de agosto, em homenagem aos noventa anos de Patativa do Assaré. Transcrita no volume 108, número 166, do dia 1 de setembro de 1998, do Diário Oficial do Estado de São Paulo.
  • Inauguração, dia 1º de outubro, da exposição “De um pingo d’água um oceano de rimas”, em homenagem a seus 90 anos na III Feira Brasileira do Livro de Fortaleza.
  • Homenageado pela Associação dos Docentes da Universidade Federal do Ceará, com a impressão de um calendário referente a 1999, com projeto gráfico de Evandro Abreu e xilogravuras de José Lourenço. Peça escolhida em concurso público.

1999 – Festa de aniversário, com a inauguração do Memorial, em Assaré e lançamento da revista INSIDE Brasil.
  • Recebe, na festa dos noventa anos, o título Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Ceará – UFC, quando é feito o lançamento do livro “Cordéis”, publicado pelas Edições UFC
Recebe o prêmio Unipaz, no VII Congresso Holístico Brasileiro, em Fortaleza, dia 20 de outubro 2000 – Festa dos 91 anos, recebe o título de Cidadão do Rio Grande do Norte
  • Lançamento, em maio, dos livros “ Patativa do Assaré”, de Gilmar de Carvalho (Fundação Demócrito Rocha) e “Patativa do Assaré”, de Sylvie Debs (Editora Hedra), no Sindicato dos Jornalistas em Fortaleza
  • Recebe o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Tiradentes, de Sergipe
  • Defesa da dissertação de mestrado “Patativa do Assaré. As razões da emoção. Capítulos de uma poética sertaneja”, de Cláudio Henrique Sales Andrade, na FFLCH, da Universidade de São Paulo, em setembro
  • Patrono da IV Bienal do Livro do Ceará 2000 (17 a 22 de outubro)
  • Lançamento do CD “Patativa do Assaré” , volume IV da Coleção Memória do Povo Cearense, no encerramento da Bienal do Livro
  • Internado, dia 18 de novembro, no Hospital São Francisco, no Crato, com problemas urinários. Teve alta dia 24 do mesmo mês.

2001 – Lançamento do livro “Balceiro 2 – Patativa e outros Poetas de Assaré, organizado por Geraldo Gonlçaves de Alencar e publicado pela Secretaria da Cultura e Desporto do Estado do Ceará e Editora Terceira Margem, de São Paulo, nas festas de seu 92º. Aniversário.
  • Estréia do curta de animação “Patativa”, em 35mm, colorido, 10 minutos de duração, de Ítalo Maia, durante o Cine Ceará, pelo qual foi premiado.
O Curta particpou de festivais na Bahia, Goiânia, Vitória e recebeu o Troféu Jangada do OCIC.
  • Terceiro colocado na eleição para o “ Cearense do Século”, promovido pelo Sistema Verdes Mares de Comunicação ( O vencedor foi Padre Cícero)
  • Recebe o troféu “Sereia de Ouro”, do Grupo Edson Queiroz, no memorial Patativa do Assaré, dia 28 de setembro.
  • Lançamento da “Antologia Poética de Patativa do Assaré”, com organização e prefácio de Gilmar de Carvalho, editada pela Fundação Demócrito Rocha, dia 30 de outubro, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza
  • Estréia do espetáculo “ Patativa do Assaré”, de Alan Castelo Branco Xavier, no Teatro Glória , Rio de Janeiro, dia 03 de novembro
  • Integra a exposição “ O Mote do Cordel”, aberta dia 11 de dezmbro no Museu do Ceará, que exibe um chapéu e um par de óculos doados por ele ao acervo da instituição.
  • Lançamento do livro “ Digo e não peço segredo” organizado e prefaciado pelo professor Tadeu Feitosa, dia 27 de dezembro no Crato, onde Patativa estava internado, acometido de infecção urinária (teve alta no dia 30 de dezembro)

2002 – Defesa da tese de doutorado em Sociologia (UFC) de Tadeu Feitosa, com o título “Patativa do Assaré: A Voz de um canto”, dia 3 de maio, orientada pela professora-doutora Maria Auxiliadora Lemenhe.
  • Morre dia 8 de julho, às 18:30 horas, de falência múltipla dos órgãos, de acordo com o laudo médico. O seu sepultamento acontece no dia 9, com a presença de autoridade, artistas e grande participação popular. Rádios, televisões e jornais dedicaram ao poeta reportagens especiais e homenagens.

2004 – Inauguração, no dia 28 de novembro, da estátua de Patativa, no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, pelo então governador Lucio Alcântara, com a presença de autoridades, artistas e povo de Fortaleza.

2007 – Lançamento oficial, no XVII CINE-CEARÁ - Festival Ibero-Americano de Cinema, em Fortaleza, Ceará, do filme documentário de longa metragem PATATIVA DO ASSARÉ – AVE POESIA do diretor Rosemberg Cariry.

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FILMOGRAFIA DE PATATIVA

Patativa do Assaré – Um poeta Camponês. Super 8. 42 minutos. Direção: Rosemberg Cariry. Fotografia Luiz Carlos Salatiel, Rosemberg Cariry e Jackson Bantim. Produção: José Wilton Dedê e João Teófilo Pierre. Fortaleza – 1999.

Patativa do Assaré – Um Poeta do povo. 16mm e 35mm. 17 minutos. Direção de Jefferson de Albuquerque Jr. e Rosemberg Cariry. Fotografia de Hermano Penna. Fortaleza – 1984.

Patativa do Assaré – Vídeo documentário realizado pelos estudantes de comunicação Social da UFC. Produção TV Educativa. Fortaleza – 1984.

Seca D’Água. Criação coletiva. Video Clip a partir de poema de Patativa. Canção interpretada por grandes nomes da música popular brasileira. Produção Raimundo Fagner. Rio de Janeiro – 1985.

O Vôo da Patativa. Vídeo. Média metragem. Direção de Oswald Barroso. Fotografia de Ronaldo Nunes. Produção TV Ceará. Fortaleza – 1995

Patativa – Documentário e desenho animado. Colorido. 35mm. Direção: Ítalo Maia. Fortaleza – 2001.

Assaré – Sertão da Poesia. Vídeo documentário. Média metragem. TV Cultura. São Paulo – 2000.

Romance da Terra da Água. Documentário. Colorido. 35mm. Direção: Jean Pierre Duret. Produção: Andréa Santana. Paris - 2001.

Antonio Gonçalves da Silva, a trajetória. Vídeo documentário. Média metragem. Direção de Jackson Bantim. Crato – 1997.

Patativa do Assaré – Ave Poesia. Documentário, Longa-metragem. 84 minutos. Direção de Rosemberg Cariry. Fotografia: Jackson Bantim, Hermano Penna, Luiz Carlos Salatiel, Beto Bola e Ronaldo Nunes. Produção de Petrus Cariry. Fortaleza – 2007.

Patativa do Assaré – O Poeta Cidadão. Documentário realizado pela TV Legislativa. Núcleo de documentação; Ângela Gurgel. Produção: Ana Célia, Clara Pinho e Janaina Gouveia. Fortaleza – 2007.

Passarim de Assaré. Vídeo clip. Vídeo digital. Direção Rosemberg Cariry. Fotografia: Kim. Música: Fagner e Fausto Nilo. Cantores: Fausto Nilo, Fagner e Amelinha. Fortaleza – 2009.

A Montanha Mágica. Ficção/documentário. Curta metragem. Colorido. 35mm. Direção Petrus Cariry. Fortaleza – 2009.

DISCOGRAFIA DE PATATIVA DO ASSARÉ

• Luiz Gonzaga – Triste Partida – 1964.
• Raimundo Fagner – “Manera Fru-Fru”, 1972 (faixa Sina), parceria com Fagner e Ricardo Bezerra.
• Patativa do Assaré – Poemas e Canções, 1979.
• Raimundo Fagner – “Raimundo Fagner” 1980 (faixa Vaca Estrela e Boi Fubá).
• Quinteto Agreste – (Seu dotô me conhece) - Compacto em vinil com a música vencedora do 1 Festival Credimus da Canção, parceria de Patativa do Assaré com Mário Mesquita, 1980.
• Massafeira Livre. Patativa do Assaré, disco 1, lado B (faixa “Senhor Doutor”), gravado ao vivo no Theatro José de Alencar, em 1979. lançado pela CBS, 1980.
• Patativa do Assaré – “A Terra é Naturá”, produção de Raimundo Fagner. Gravadora CBS, 1981.
• Som Brasil - Participação de Patativa do Assaré, gravada ao vivo no Programa Som Brasil, dia 30 de novembro de 1981.
• Quinteto Agreste – “Quinteto Agreste” (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”).
• Patativa do Assaré – “Patativa do Assaré”, 1985 (Projeto Cultural do BEC).
• Criação coletiva – “Seca D’Água”, 1985, a partir de poema de Patativa, interpetada por grandes nomes da música popular brasileira. Produção de Fagner.
• Alcymar Monteiro – “Rosa dos Ventos”, 1987 (faixa “Sofreu”).
• Patativa do Assaré – “Canto Nordestino”, Produzido por Rosemberg Cariry, 1989.
• Patativa do Assaré – “80 anos de Luz” 1989.
• Joãozinho do Exu – “Lembrando você”, 1983 (faixa – “A natureza chora”).
• Patativa do Assaré – “85 anos de poesia”, 1994.
• José Fábio – “José Fábio”, 1994 (faixas “Vaca Estrela e Boi Fubá”, “Menino de Rua”, “Lamento de um nordestino” e “Estrada da minha vida”).
• Mastruz com Leite – “O Boi Zebu e as Formigas” 1995 (faixa título).
• Sérgio Reis – “Marcando Estrada”, 1995 (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”).
• Cícero do Assaré – “Meu passarinho meu amor”, 1996 (faixas “Meu passarinho meu amor” e “Lamento de um nordestino”).
• Mastruz com Leite – “Em todo canto tem cearense, inclusive neste cd” (faixa “Sem Terra”). Fortaleza.
• Fagner – “20 Super Sucessos II” (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”).
• Pena Branca e Xavantinho – “Cio da Terra”, 1996 faixa (“Vaca Estrela e Boi Fubá”).
• Gildário – “Sou Nordestino” (faixas “Saudade”, “Tenha pena de quem tem pena”, “Assaré Querido” e “Sou Nordestino”).
• Cláudio Nucci e Nós & Voz – “É boi” (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”).
• Alcymar Monteiro – “3º Circuito de Vaquejadas”, 1997 (faixas “Ingém de Ferro” e “Nordestino sim, nordestino não”).
• Renato Texeira e Pena Branca e Xavantinho – “Ao Vivo em Tatuí” (faixa “vaca Estrela e Boi Fubá”).
• Gildário – “Agora” (faixas “A tristeza”, “Saudação a Juazeiro”, “Morena e Mastruz com Leite”).
• Baby Som – “Quente e Arrochado – volume 2” (faixa “Ao rei do baião”).
• Alcymar Monteiro – “Eterno Moleque” (faixa “Minha Viola”).
• Daúde – “Daúde”( faixa “Vida Sertaneja”).
• Abidoral Jamacaru – “O Peixe”, 1997 (faixa título).
• Simone Guimarães – “Cirandeiro, 1997 (faixa “Sina”).
• Cantorias e Cantadores 2 – Pena Branca e Xavantinho (faixa “Vaca Estrela e Boi Fubá”). Kuarup Discos, s/d.
• José Fábio – “José Fábio canta Patativa do Assaré, 1998.
• Notícias do Brasil – Myrlla Muniz canta Casinha de Palha. Cariri Discos. Fortaleza/Brasília - 2007.
Caixa do Patativa. Músicas e poemas de Patativa interpetados por Téti, Fernando Néri, Abdoral Jamacaru, Gildário, Cícero de Assaré, Myrlla Muniz, Calé Alencar, Gylmar Chaves, Cainã Cavalcante, Edmar Gonçalves, Palhoça das Artes, Banda de Pífanos dos Irmãos Aniceto, Pingo de Fortaleza, Pachelly Jamacaru, Ricardo Guilherme, Quinteto violado, Geraldo Amâncio, Zé Maria de Fortaleza, Quarteto Musiart. Produção: Calé Alencar e Gylmar Chaves. Realização: Cariri Discos e Equatorial Produções. Fortaleza – 1999.

BIBLIOGRAFIA DE PATATIVA DO ASSARÉ

O matuto Cearense e o Caboclo do Pará. José Carvalho. Reedição. Edições UFC. Fortaleza - 1973
Inspiração Nordestina, Rio de Janeiro, Borsoi Editor, 1956.
Inspiração Nordestina – Cantos do Patativa. Rio de Janeiro, Borsoi Editor, 1967.
Patativa do Assaré. Novos Poemas Comentados. J. de Figueiredo Filho, Fortaleza, Imprensa Universitária, 1970.
Cante lá que eu canto cá. Editora Vozes. Petrópolis, 1978.
O Metapoema em Patativa do Assaré: Uma Introdução ao Pensamento Literário do Poeta. Francisco de Assis Brito. Crato, Faculdade de Filosofia, 1984.
Ispinho e Fulô. Fortaleza. Editado por Rosemberg Cariry. IOCE, 1988.
Balceiro. Patativa e outros poetas de Assaré. Organizado por Patativa do Assaré e Geraldo Gonçalves de Alencar. Editado por Rosemberg Cariry. Fortaleza, SECULT/IOCE, 1991.
Filosofando com Patativa. Jesus Rocha. Fortaleza, Stylus Comunicações, 1991.
Cordéis do Patativa. Caixa com 13 folhetos. Juazeiro do Norte, Lira Nordestina (edição da Secult com apoio da Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte).
Aqui tem coisa. Fortaleza, Secult/IOCE, 1994.
Nordestinos. Coletânea poética do Nordeste brasileiro. Organizada por Pedro Américo de Farias. Lisboa, Editorial Fragmentos, 1994.
Patativa e o universo fascinante do sertão. Plácido Cidade Nuvens. Fortaleza, Unifor, 1995.
Letras ao Sol. Antologia da Literatura Cearense. Organizada por Osvald Barroso e Alexandre Barbalho. Fortaleza, Fundação Demócrito Rocha, 1998.
Patativa do Assaré – Um Clássico. Plácido Cidade Nuvens. A Província Edições. Crato – 2002.
Patativa do Assaré - Pássaro Liberto. Gilmar de Carvalho. Edição Museu do Ceará, Fortaleza, 2002.
Patativa Poeta Pássaro do Assaré – Gilmar de Carvalho. Editora Inside Brasil. Fortaleza, 2000
Patativa do Assaré – Uma voz do Nordeste. Sylvie Debs. Editora Hedra. São Paulo, 2000.
Patativa – A trajetória de um canto. Luiz Tadeu Feitosa. Editora Escrituras. São Paulo, 2003.
Patativa do Assaré – Antologia Poética. Org. Gilmar de Carvalho. Edições Demócrito Rocha, Fortaleza, 2001.
Patativa do Assaré – As razões da emoção. Cláudio Henrique Sales Andrade. Editora UFC, Fortaleza, 2004.
Balceiro 2 – Org. Patativa do Assaré e Geraldo Gonçalves de Alencar. Edições Secult/Terceira margem, Fortaleza/São Paulo, 2001.
Patativa do Assaré – Digo e não peço segredo. Org. por Tadeu Feitosa. Editora Escrituras, São Paulo, 2001.
Melhores poemas de Patativa do Assaré. Seleção e apresentação de Cláudio Portela. Global Editora. Rio de janeiro, 2006.
O poeta do Povo: vida e obra de Patativa do Assaré. Assis Ângelo. São Paulo, CPC-UMES, 1999.
• Ao pé da mesa, motes e glosas. Patativa do Assaré e Geraldo Gonçalves de Alencar. Terceira Margem./ Secult. São Paulo/Fortaleza, 2001.
Poésie du Nordeste du Brésil, de Jean-Pierre Rousseau – Coletânea de de poetas eruditos e populares cearenses, traduzidos para o francês. Ilustração de José Leite Mesquita – Edição Cahiers Bleus. Paris - 2002.

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Biografia por Rosemberg Cariry

PATATIVA DO ASSARÉ
(Antônio Gonçalves da Silva. 1909 - 2002)


Compositor, cantador e repentista, poeta de inspiração privilegiada, Antonio Gonçalves da Silva, o Patativa do Assaré, figura como um dos grandes nomes no panteão da poesia brasileira. Filho do agricultor Pedro Gonçalves da Silva e de Maria Pereira da Silva, Antonio Gonçalves da Silva nasceu no dia 5 de março de 1909, na cidade Assaré, no Cariri cearense. Foi criado em meio a muitas privações. Em 1913, perde um olho por causa de uma inflamação, acontecimento que lhe destinaria para o resto da vida levar no rosto a marca de “Camões”. Seu pai, que também era poeta, morreu no dia 28 de março de 1917, piorando ainda mais a situação de pobreza da família que vivia da agricultura de subsistência. A pequena propriedade rural é dividida entre os filhos José, Antônio, Joaquim, Pedro, Maria e Mercês. Desde cedo, o pequeno Antonio já trabalha na roça, junto com os irmãos, para ajudar a mãe viúva. Nas noites, à luz das lamparinas, escuta os versos de cordel soletrados pelo seu irmão mais velho. Começa a freqüentar as aulas de um mestre escola alfabetizado por meio do livro de Felisberto de Carvalho. Fica menos de seis meses na escola, mas a sua inteligência privilegiada o leva a novas leituras e torna-se uma autodidata, lendo os raros livros que lhe caem nas mãos.
Uma mudança importante acontecia na vida do jovem Antonio, quando por volta de 1925, depois de ouvir uma cantoria, pediu a sua mãe que vendesse uma cabra que possuía e, com o dinheiro, comprou uma viola, com a qual começa a fazer cantorias na região da Serra de Santana e da Serra do Quincuncá. Em 1928, seguindo o caminho de muitos nordestinos, aventura-se pela Amazônia, o sonhado “Eldorado” dos retirantes que abrigou muitas tragédias, em sua dura realidade. O jovem cantador Antonio Gonçalves reside algum tempo no Pará, onde faz cantorias com outros cantadores por colônias e assentamentos de migrantes nordestinos. Em Belém, é batizado pelo escritor José Carvalho de Brito com o sonoro nome de Patativa do Assaré. É comum os cantores nordestinos adotarem os nomes de pássaros. A nomeação do local onde nasceu “do Assaré” foi-lhe dada para diferenciá-lo de outros cantadores com nome de Patativa. De volta, em Fortaleza, é recebido na Casa de Juvenal Galeno. Tem o privilégio de conhecer o poeta das “Lendas e Canções Populares”. Patativa guarda deste encontro com Juvenal Galeno, já bem idoso e próximo da morte, uma forte emoção. De regresso ao sertão de Assaré, retoma o seu trabalho na roça e faz cantorias pela região. Lê o Tratado de Versificação, de Guimarães Passos e começa a ler os grandes clássicos da língua portuguesa: Camões, Bocage, Gonçalves Dias, Fagundes Varela, Olavo Bilac, Castro Alves, Casimiro de Abreu, padre Antonio Tomás, Antero de Quental, Guerra Junqueiro, entre outros. Mesmo não fazendo profissão da arte da cantoria, as apresentações ao som da viola, rendem-lhe algum dinheiro que ajuda na sua manutenção, notadamente nos anos de seca, como foi a grande seca de 1932. Neste ano, vendo imensos sofrimentos e tragédias das famílias retirantes, compôs um dos mais belos e pungentes poemas já escritos na língua portuguesa: “A Morte de Nana”. Casa-se, dia 6 de janeiro de 1936, com Belarmina Paes Cidrão, a dona Belinha, que morava em um sítio próximo ao de Patativa, na Serra de Santa. Desta união, nasceriam quatorze filhos, dos quais sobreviveram sete, quatro homens e três mulheres: Afonso, Pedro, Geraldo, João Batista, Lúcia, Inês e Miriam.
A década de 1930 marcou a história do Brasil com convulsões sociais e grandes mudanças políticas. Neste período, a consciência social e política de Patativa se amplia. Já com alguma influência dos movimentos revolucionários e das idéias sociais mais avançadas que sacudiam o País, começa a compor poemas que denunciam o latifúndio e o sistema de servidão imposto ao camponês, sem deixar de fazer os também os seus poemas líricos e brejeiros. Na literatura, o romance regional mostrava as feridas sociais de sua nação, com autores como Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz, Jorge Amado, José Américo de Almeida e José Lins do Rego, entre outros. A veia satírica de Patativa do Assaré causou-lhe alguns problemas. Em 1943, acusado de desacato à autoridade, por conta de um poema satírico intitulado “Prefeitura sem Prefeito”, Patativa do Assaré é preso, mas solto logo em seguida por intervenção de seus admiradores. Volta a sua lida na roça e a suas composições poéticas cheias de lirismo e de denúncias sociais. Fazendo uso da sua viola, faz cantorias e desafios com os grandes cantadores nordestinos. Por volta de 1953, durante a grande seca, Patativa cria o poema “Triste Partida”, que se tornaria popular, cantado ao som da viola, falando da epopéia nos nordestinos expulsos da terra sertaneja para as plagas do sul (Sudeste). A música “Triste Partida” seria gravada por Luiz Gonzaga, no ano de 1964, e se tornaria um dos grandes sucessos do Rei do Baião e um hino dos nordestinos do êxodo.
Ainda na primeira metade da década de 50, Patativa começa a recitar seus poemas na Rádio Araripe do Crato, no programa de Tereza Siebra Lima, oportunidade em que foi ouvido pelo filólogo José Arraes de Alencar, que se encontrava visitando a família, na cidade do Crato. José Arraes de Alencar, maravilhado com a beleza dos versos do poeta de Assaré, incentiva-o a publicar o seu primeiro livro, “Inspiração Nordestina”, pela editora Borsói, do Rio de janeiro, em 1956. Com o livro pronto no matulão, viola nas costas, Patativa anda por todo o Ceará fazendo suas cantorias e vendendo o seu livro, para pagar a dívida que contraíra com o editor. Nesta época, faz contatos com o movimento das Ligas Camponesas e compõe poemas sobre a reforma agrária. Usando um pseudônimo, Patativa do Assaré publica poemas em jornais de esquerda que refletiam as inquietações políticas do movimento operário-camponês.
O início da década de 1960 encontra o Nordeste em plena ebulição política e social, notadamente no Pernambuco e Paraíba, onde o movimento das Ligas Camponesas ganhara grande força entre a população rural. Em 1962, a convite do seu parente, o governador Miguel Arraes, apresenta-se com outros cantadores, em Recife, ocasião em que toma conhecimento dos acontecimentos políticos e faz contatos com lideranças camponesas pernambucanas e paraibanas. O golpe militar de 1964 traz atribulações para Patativa, que vê várias lideranças do movimento camponês serem presas e é também ameaçado de prisão. Neste período, Patativa relaciona-se com a intelectualidade democrática e esquerdista do Crato, principalmente com Elói Teles de Moraes, que faz um programa de poetas populares, na Rádio Araripe do Crato. Em 1966, Patativa viaja ao Rio de Janeiro, para tratar da reedição do livro “Inspiração Nordestina”, agora acrescido do “Cantos do Patativa”, que sairá no ano seguinte, pela mesma editora Borsói (1967). Volta ao Cariri e percorre a região vendendo o seu livro. Pouco a pouco, abandona a vida de cantador e firma-se como “poeta popular”. Em 1968, é decretado o Ato Institucional no. 5, e a repressão aos movimentos culturais, populares e democráticos se faz sentir com mais força, dando início aos chamados “anos de chumbo”. Patativa alarga o seu círculo de amizade com intelectuais e políticos democráticos que militavam na oposição, no então MDB, na região do Cariri. No início da década de 1970, J. de Figueiredo Filho, presidente do Instituto Cultural do Cariri, lança o livro “Patativa do Assaré, novos poemas comentados”, com grande repercussão na região.
Em 1973, no dia 13 de agosto, Patativa é atropelado, em Fortaleza, ao atravessar uma avenida. Este acontecimento lhe causaria grandes sofrimentos e lhe deixaria com seqüelas para o resto da vida. Por volta da segunda metade da década setenta, Patativa do Assaré encontra-se com jovens do movimento cultural do Crato que faziam o “Grupo de Arte Por Exemplo” e participa de shows, performances e festivais de música e poesia. Patativa é o grande mestre desta geração que, no Cariri, fazia arte de vanguarda, amava os Beatles os Rolling Stones, a cultura “underground” e juntava-se à cultura popular em suas contestações. Neste período, a produção poética de Patativa é das mais vivas e reflete crítica mordaz ao autoritarismo da ditadura militar, o que o torna bastante popular nos grupos políticos democráticos, estudantis, operários e camponeses, notadamente no movimento da Igreja Eclesial de Base. Em 1978, por iniciativa do sociólogo Plácido Cidade Nuvens, foi lançado pela Editora Vozes, com grande repercussão nos meios intelectuais brasileiros, o livro “Cante lá que eu canto cá”. Patativa do Assaré deve à publicação deste livro o seu reconhecimento pela intelectualidade dos grandes centros e sua descoberta pela grande imprensa. Reconhecimento maior ainda viria por parte do SBPC – Congresso Brasileiro para Progresso da Ciência _ SBPC, que, em 1979, nomeia o seu congresso anual de “Cante lá que eu canto cá”, em homenagem ao poeta. Patativa participa de shows memoráveis e é aclamado por lideranças intelectuais e populares de todo o País. Atua no movimento pela anistia e pelo regresso dos presos políticos no exílio. A sua música “Canção do Pinto” torna-se uma espécie de hino libertário da anistia e da redemocratização do País. Neste período, Rosemberg Cariry inicia as filmagens de documentário sobre o poeta. Um outro documentário, já em bitola profissional de 35mm, seria dirigido por Jefferson de Albuquerque e Rosemberg Cariry, em 1983, sendo legendado em vários idiomas para exibições em festivais nacionais e internacionais. O filme ganha prêmios na Jornada Internacional de Cinema da Bahia.
No movimento “Massafeira”, em 1979, Rosemberg Cariry organizou a participação de artistas populares do Cariri. Patativa do Assaré foi a estrela maior e realizou shows, apresentando-se ao lado de Fagner e de Ednardo. Consolidou também a sua amizade com jovens compositores cearenses. Ainda na “Massafeira”, a CBS grava ao vivo um disco, o disco “Poemas e Canções”, produzido por Raimundo Fagner. Em 1980, Patativa se apresenta com Fagner em vários shows por todo o País, e a música “Vaca Estrela e Boi Fubá” torna-se um grande sucesso popular. Em 1981, Fagner produziria um novo disco de Patativa “A Terra é Naturá”. Foi neste ano que Patativa deixou a Serra de Santana e passou a morar em Assaré. Atendendo a inúmeros convites, Patativa apresenta-se em programas da Rede Globo, recebe homenagens oficiais e títulos de cidadão de várias cidades. O sucesso e o reconhecimento popular nacional de Patativa do Assaré, iniciados a partir da segunda metade da década de 70, consolidam-se no início da década de 80 e chegam ao seu apogeu em 1984, quando o poeta se faz presente em vários acontecimentos políticos e culturais, participando da campanha pelas “Diretas Já”. Por todo o Nordeste, nos palanques e nos palcos, nas universidades e nas praças públicas, nas latadas dos sertões e nas feiras, recita os seus poemas, ao lado de grandes artistas e políticos que lutam pela redemocratização do País. Uma longa entrevista com Patativa do Assaré, realizada por Rosemberg Cariry, é publicada no livro “Cultura Insubmissa” (1982). Neste mesmo livro, Oswald Barroso publica o artigo ”Patativa do Assaré – Nosso poeta do futuro” .
A conjuntura política nacional aponta para a democracia. No Ceará, esta mudança deu-se com a queda dos chamados “coronéis” e a ascensão do jovem empresário Tasso Jereissati, que foi eleito como Governador do Ceará (1986), com apoio da esquerda e de Patativa do Assaré. O reconhecimento oficial do Estado do Ceará chegaria na forma de “Medalha da Abolição”, honraria que lhe é conferida pelos “relevantes serviços prestados ao Estado”(1987). A Dra. Violeta Arraes assume a secretaria de Cultura do Estado (julho de 1988) e dá um novo impulso às artes no Ceará. Patativa passa a ser um dos grandes ícones da cultura popular, sendo colocado em alto pedestal. A entrega do diploma “Doutor Honoris Causa”, pela Universidade Regional do Cariri - URCA, em 1989, transformou-se em grande acontecimento cultural. Rosemberg Cariry produz a edição e prefacia o livro “Ispinho e Fulô” (1988) e lança ainda o disco “Patativa – Canto Nordestino” (1989). Os recitais de Patativa são grandes sucessos de público. A imprensa nacional dedica grandes espaços na divulgação do poeta e da sua obra. Os festejos do seu aniversário naquele ano de 1989 são encerrados com apresentação de Patativa do Assaré e Fagner, no memorial da América Latina, em São Paulo.
A década de 90 consolida a fama nacional de Patativa, agora com reconhecimento oficial, e dá início ao seu processo de mitificação, passando a figurar no panteão popular, onde já se eternizaram nomes como Padre Cícero, Antonio Conselheiro, Lampião e Cego Aderaldo. Seminários sobre a sua obra são organizados por universidades de todo o Nordeste. O poeta recebe títulos de “Doutor Honoris Causa” de destacadas universidades nordestinas e tem seus poemas traduzidos em vários idiomas. É iniciada uma profícua produção acadêmica sobre o poeta, destacando-se, no início do século XXI, os nomes de Gilmar de Carvalho, Tadeu Feitosa, Francisco de Assis Brito, Maria Silvana Militão, Oswald Barroso, Cláudio Henrique Sales, Luiz Tadeu Feitosa e a francesa Sylvie Debs, entre outros. É lançado o disco “Patativa do Assaré - 80 Anos de Luz”. Para escândalo dos “puristas” da cultura popular, Patativa do Assaré vira enredo de escolas de samba, tema de quadrilhas juninas e participa de novelas da Globo, ao lado de Geraldo Amâncio, a convite do ator e cantor Jackson Antunes. Patativa transforma-se assim em um “personagem” constantemente solicitado pela mídia. Em 1991, Rosemberg Cariry, por meio da Secult, viabiliza a publicação do livro “Balseiro”, antologia de poetas do Assaré, organizada por Patativa e por Geraldo Gonçalves de Alencar. Em 1993, o prof. Gilmar de Carvalho edita “Cordéis do Patativa”. É lançado o livro “Aqui tem coisa” (lançado em 1994), na I Feira Brasileira do Livro de Fortaleza. Oswald Barroso realiza o documentário “O Vôo da Patativa”, fotografado por Ronaldo Nunes, em que documenta o cotidiano do poeta e os últimos dias de vida de Dona Belinha. Dílson Pinheiro produz o CD “Patativa do Assaré – 85 anos de luz e poesia”, em 1993.
No dia 15 de maio de 1994, morre Dona Belinha, que já se encontrava doente, paralítica, em uma cadeira de rodas. A morte da esposa deixou o poeta Patativa muito abatido e, durante algum tempo, ele se recolhe à sua casa, em Assaré, sem, no entanto, deixar de produzir seus poemas, ainda belos e de grande lucidez. A humilde casa do poeta, em Assaré, vira local de verdadeiras “romarias”. Todos os dias chegam automóveis e ônibus, cheios de pessoas vindas de todo o Brasil para visitá-lo, tirar fotografias ao seu lado e ouvir os seus poemas e até mesmo seus conselhos. Patativa gostava de ficar horas recitando para estas platéias maravilhadas e gratificadas com a sua generosidade. Em 1995, o prof. Plácido Cidade Nuvens, incansável divulgador da obra de Patativa do Assaré, publica o livro “Patativa e o Universo Fascinante do Sertão”. O professor e poeta Cândido B. C. neto propões homenagens a patativa na Universidade Estadual do Ceará. O poeta recebe o “Prêmio Ministério da Cultura”, na categoria Cultural Popular. Novos seminários universitários sobre a obra de Patativa são organizados, e são lançados novos CDs com seus poemas e novos álbuns de xilogravuras com a sua vida (verdade e imaginação). Suas canções são gravadas por importantes nomes da música popular brasileira, e seu nome é dado a rádios comunitárias, centros culturais, escolas, estradas e até mesmo para rotular o lançamento de cachaça, em Juazeiro do Norte.
Pela primeira vez, Patativa do Assaré participa de uma antologia literária no Ceará, em “Letras ao Sol” (1998), organizada por Oswald Barroso e Alexandre Barbalho. Ainda no ano de 1998, no dia 10 de agosto, em sessão solene da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, Patativa recebe o título de “Cidadão paulistano”. Em 1999, com grande participação popular, a presença do povo, de autoridade e artistas, é inaugurado, pelo Governador Tasso Jereissati, o memorial Patativa do Assaré, em Assaré. No mesmo ano, em São Paulo, o radialista e pesquisador Assis Ângelo lança o livro “O poeta do Povo: vida e obra de Patativa do Assaré”.
Por ocasião da IV Bienal do Livro, no ano de 2000, Patativa do Assaré foi novamente homenageado. Doente, sem poder viajar para Fortaleza, o poeta foi entrevistado por Dílson Pinheiro, em Assaré (no memorial), ao mesmo tempo em que artistas e autoridades lhe prestavam homenagens, no palco do Centro de Convenções, em Fortaleza. A TV Ceará transmitiu este programa ao vivo, com grande audiência. Gilmar de Carvalho lança o livro “Patativa poeta pássaro do Assaré”, reunindo entrevistas que fizera com o poeta de Assaré. A professora Sylvie Debs, da Universidade Robert Schuman, de Estrasburgo, publica o seu estudo “Patativa do Assaré – Uma voz do Nordeste”. O acadêmico Tadeu Feitosa também publica entrevistas e teses sobre o poeta.
A partir de 2001, agrava-se a doença de Patativa. O poeta já não viaja e sofre com os constantes internamentos em hospitais da região. Mesmo assim, apesar da doença e do sofrimento, continua a fazer versos e divulga-os em jornais e em televisões que insistem em entrevistá-lo. No dia 8 de julho de 2002, às 18:30 horas, morre Patativa do Assaré. Todo o Nordeste chora a morte do poeta, e a notícia do seu falecimento é publicada nos maiores jornais e revistas do País, em reportagens especiais e homenagens. No dia 9, com grande participação popular e a presença de autoridades e artistas vindos de todas as regiões do nordeste, acontece o sepultamento do grande mestre da poesia brasileira. A morte é a completude. Patativa deixa a terra dos homens e entra definitivamente no território do mito, o mito mais profundo que habita a alma de um povo e se abraça com sua eternidade. Desde a sua morte, o nome de Patativa do Assaré não parou de crescer. Suas canções foram regravadas, seus livros e CDs foram reeditados. O “Festival Internacional de Trovadores e Repentistas” (2004/05) cria o “Troféu Patativa do Assaré” para homenagear os grandes nomes da poesia e da cantoria do Brasil e do exterior. Em 2007, no “XVII Cine Ceará – Festival Ibero-Americano de Cinema”, em Fortaleza, acontece a estréia nacional do filme de longa-metragem “Patativa do Assaré – Ave Poesia”, de Rosemberg Cariry, numa verdadeira consagração popular, registrada pela imprensa como a “comoção Patativa”.

(Esboço biográfico anotado por Rosemberg Cariry. Fevereiro de 2009)

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