sábado, 28 de fevereiro de 2009


PATATIVA DO ASSARÉ – Autobiografia




Eu nasci no dia 5 de março de 1909, no lugar denominado Serra de Santana, que fica no interior do Estado do Ceará, pertencendo ainda à região do Cariri. A Serra. de Santana está distante da cidade de Assaré 18km. O meu pai, um pobre agricultor, Pedro Gonçalves da Silva, e minha mãe, Maria Pereira da Silva. Deste casal, nasceram cinco filhos: José, Antônio, Joaquim, Pedro e Maria. Eu sou o segundo filho, o Antônio Gonçalves da Silva. Quando meu pai morreu, eu fiquei apenas com 9 anos de idade. Meu pai morreu muito moço. E eu, ao lado dos meus irmãos e da minha mãe, tivemos que enfrentar a vida de pobre agricultor, no diminuto terreno que o meu pai deixou como herança. Na idade de 12 anos, eu freqüentei uma escola lá mesmo no campo, onde vivia e onde ainda estou vivendo. Nesta escola, o professor era muito atrasado, embora muito bom, muito cuidadoso, mas o coitado não conhecia nem sequer a pontuação. Eu aprendi apenas a ler, sem ponto de Português, sem vírgula, sem ponto, sem nada, mas, como sempre, a minha maior distração sempre foi a poesia e a leitura. Quando eu tinha tempo, chegava da roça, ao meio-dia, ou à noite, a minha distração era ler, ler e ouvir outro ler para mim, o meu irmão mais velho, José. Ele lia sempre os folhetos de cordel e foi daí de onde surgiu a minha inspiração para fazer poesia. Eu comecei a fazer verso com 12 anos de idade. E continuei sempre na vida de agricultor e ali entre os meus irmãos e ao lado da minha mãe. Com 16 anos, eu comprei uma viola e comecei a cantar de improviso. Naquele tempo, 16 anos, eu já improvisava, mesmo glosando, sem ser ao pé da viola. Comprei a viola e comecei a cantar também, não fazendo profissão. Eu cantava assim por esporte, atendendo convite especial, renovação de santo, casamento que não ia haver dança, também aniversários de pessoas amigas. O certo que eu só cantava ao som da viola atendendo convite especial.

Com 20 anos de idade, um primo legítimo da minha mãe, um negociante que aos 15 anos havia saído do Assaré e que morava no Pará, veio visitar a família. Então foi à casa da minha mãe e me ouviu cantar ao som da viola. Ficou encantado e maravilhado com os meus improvisos e pediu carinhosamente à minha mãe para que deixasse eu ir com ele ao Pará, que custearia todas as despesas e ela não tivesse cuidado que eu voltaria quando quisesse. Então, a minha mãe, muito chorosa, pela amizade e atenção que tinha ao primo, consentiu que eu fosse. Eu viajei ao Pará, eu tinha 20 anos naquele tempo. Viajei com meu tio. Chegando lá, ele me apresentou ao escritor cearense José Carvalho de Brito, autor do livro "O Matuto Cearense e o Caboclo do Pará", em cujo volume eu tenho um capítulo. José Carvalho me recebeu com a maior atenção e me pediu uns versos para publicar no "Correio do Ceará". Ele era redator do "Correio do Ceará". Ele colaborava no "Correio do Ceará". Então, no final dos versos, ele faz a apreciação dele, fazendo uma referência sobre os meus versos e disse que a espontaneidade da minha poesia se assemelhava com o canto sonoro da patativa do Nordeste, a nossa patativa aqui do Ceará. E então o jornal circulou daquele tempo para cá. Eu já com 20 anos, foi que começaram a me chamar Patativa. Posso dizer que foi José Carvalho de Brito que pôs esse apelido que o povo hoje conhece, esta alcunha. Patativa do Assaré. Depois começou a surgir outro Patativa por aí afora também fazendo verso, cantando ao som da viola, e o povo, para distinguir, quando se falava de uma poesia que o povo gostava, perguntava logo: é do Patativa do Assaré? Só quero se for do Patativa do Assaré, sendo do Patativa do Assaré eu quero. Então começaram a me tratar Patativa do Assaré. E com muito direito, porque Assaré é a minha terra, a minha cidade. Sim, como eu ia dizendo, lá em Belém do Pará eu desci para Macapá, onde morava outro primo legítimo da minha mãe. Lá eu passei um dia, mas achei a vida muito trancada, uma vida insípida, uma vida sem distração, eu só podia sair de dentro de uma casa se fosse levado por pessoa, porque lá a gente sai de dentro de casa já é na canoa, desce da porta não é escada, sai de dentro da canoa e então vai pra outra casa, que é tudo alagado. E então eu não agüentei e passei apenas 2 meses lá. Voltei a Belém do Pará, para casa do outro tio. Daí fui às colônias do Pará, cantei com os cantadores das colônias, Francisco Chagas, Antônio Merêncio, Rufino Galvão, mas a saudade danada não me deixou demorar mais no Pará. Passei apenas 5 meses e tantos dias e voltei ao Ceará.

De volta ao Ceará, José Carvalho de Brito, que era muito amigo da Dra. Henriqueta Galena, filha do afamado poeta Juvenal Galeno, me deu uma carta de recomendação para a Dra. Henriqueta Galeno. Eu, chegando aqui, entreguei a carta, ela leu e me recebeu no salão de Juvenal Galeno, como ela sempre recebeu um poeta de classe, um poeta de cultura, um poeta erudito. Ali fiz alguns improvisos, cantei ao som da viola, porque eu trazia minha viola. Então eu voltei novamente ao Assaré, 5 meses e tantos dias. Cheguei lá, recomecei a minha vida de roceiro, sempre trabalhando e sem nunca mais viajar, porém sempre fazendo versos. E já tinha uma farta bagagem de produções, quando o latinista José Arraes de Alencar, vindo do Rio de Janeiro, onde ele morava, foi visitar a D. Silvinha, a sua mãe e ouviu o programa na Rádio Araripe, onde eu estava recitando versos. Perguntou de quem era, quem era aquela pessoa que recitava aqueles versos tão dignos de atenção e próprios de divulgação. Aí disseram a ele que era um caboclo, um roceiro, um agricultor. Então ele mandou me chamar. Eu fui à presença dele, ele ficou muito satisfeito, recitei muita poesia pra ele, pois a minha bagagem, que dava um volume, eu tinha toda na mente, toda guardada na memória, e ele perguntou: "Por que você não publica esta poesia, esta coisa tão admirável que você tem, tantos versos próprios de divulgação?". Eu respondi: "Doutor, porque eu não posso, eu sou muito pobre, sou roceiro, nem sequer nunca pensei em publicar alguma coisa". Ele disse: "Pois você vai publicar seu livro. Eu publico seu livro e você pagará o impresso com a venda do próprio livro". Então eu respondi: "Doutor, e se o livro não tiver sorte, como é que acontece?". Então ele disse: "Você é um vencido não tem coragem. E com certeza a sua honestidade é grande. Ficou com medo de ficar devendo algum dinheiro? Não, não acontecerá isso. E, se assim acontecer, você não ficará devendo um vintém a seu ninguém. Você não tá pedindo para ninguém publicar seu livro". E na presença estava Dr. Moacir Mota, que era gerente do Banco do Brasil na cidade do Crato, filho do saudoso Leonardo Mota, poeta, se ofereceu para datilografar as minhas produções, sem me cobrar um vintém. E assim fez. A cópia foi datilografada na cidade de Crato pelo Dr. Moacir Mota, foi remetida para o Rio de Janeiro, lá o Dr. José Arraes de Alencar, esse latinista, homem de profundo conhecimento, publicou meu livro na editora Borçoi e remeteu para o Banco do Brasil, foi guardado no Banco do Brasil, de onde eu tirava os volumes e vendia aí pelo Assaré, no meio do meu conhecimento. Fizemos lançamento também no Crato. O certo é que eu paguei com facilidade o impresso deste livro. No ano de 66, o mesmo livro foi editado, a 2ª. edição, com o aumento de um livrozinho que eu tinha, com o título "Cantos de Patativa". "Cantos de Patativa" era um livrozinho que eu tinha, um livro inédito, com o qual eu ampliei o "Inspiração Nordestina", na sua 2ª. edição, na mesma editora Borçoi, no Rio de Janeiro onde estive 4 meses. Lá na Rio de Janeiro, quando saiu a tiragem do meu livro, eu tive um dos prazeres maiores da minha vida. É que lá, eu sem conhecimento para a venda do livro, e o Borçoi, o dono da editora, publicou fazendo o mesmo negócio, para eu pagar com a venda do próprio livro, eu dando apenas uma entrada de meu. Aí então eu sabendo que no Ceará era onde eu podia vender com facilidade, fui à presença do Dr. Borçoi e falei para ele: "Doutor, eu venho aqui tratar de negócios com o senhor. É que meu livro aqui eu não posso vender com facilidade, não tendo conhecimento, sou muito tímido, sou muito pessimista e eu vou voltar ao Ceará, que lá eu vendo e então enviarei o dinheiro. Venho para que a gente assine aqui um documento, uma promissória de tudo". E ele respondeu: "Poeta, tem quatro meses que você está aqui no Rio, eu já estou lhe conhecendo, já conheço assim, fiquei conhecendo a sua índole, a sua honestidade, a sua capacidade. Olha, volta lá para o teu Ceará, com os teus livros, eu apenas te dou este cartão do banco para onde você vai remeter o dinheiro e pode me pagar parceladamente e eu estou confiando e sei que recebo o dinheiro". Ora, eu voltei muito satisfeito dele me confiar e, se eu tinha desejo de pagar com brevidade, ainda mais me cresceu esse desejo de fazer isso com a maior facilidade.

No ano de 70, o Prof. J. de Figueiredo Filho publicou um livro. Esse livro eu não posso dizer que ele é meu, porque o comentarista do livro é o J. de Figueiredo Filho. A poesia é toda minha, mas o livro foi apresentado por ele, que é: "O Patativa do Assaré". Ele mesmo se explica e diz: "O livro é meu? Não, o livro não é meu. O livro é do poeta Patativa. Eu sou apenas o comentarista do livro, sou apenas o apresentador". Então o "Patativa do Assaré" já foi esgotado. O "Inspiração Nordestina" foi também esgotado. Eu só tenho publicado os meus livros por iniciativa dos homens de cultura, como agora mesmo o "Cante Lá que eu Canto Cá". O "Cante lá que eu Canto Cá" foi iniciativa do homem de letras, o prof. Plácido Cidade Nuvens.

Ele veio a mim e disse: "Olhe, vamos publicar seu livro, o livro, um novo livro". Eu disse: "Você pode?". "Posso, porque a Fundação Pe. Ibiapina está aqui é para trabalhar e apresentar aquilo que de melhor tem na região e eu não vejo outra coisa melhor do que a sua capacidade de fazer versos, essa sua cultura popular, esse seu pensamento de penetrar em todos os assuntos sociais e cantar a vida do povo. E nós vamos publicar o seu livro. Eu mesmo serei o portador para me entender com a Editora Vozes, faço negócio e então vamos publicar o seu livro. Eu faço isso não é interesse de você ganhar dinheiro porque o poeta, aqui no Brasil, ele não ganha dinheiro, mas ele é a riqueza da divulgação. É um documentário que eu quero deixar aqui na Fundação Pe. Ibiapina e esse documentário ficará não só aqui como em outros lugares". E assim foi, a minha vida tem sido assim. Tudo isso sem eu deixar meu trabalho de roça. Eu nunca de mim próprio procurei voluntariamente publicar um livro. São os apreciadores, os interessados pela cultura popular que me procuram, pois até mesmo da Inglaterra veio o Dr. Collin a minha casa, passou aí três dias, conversou muito comigo, é um escritor que já escreveu, já tem livros publicados, ele tem um livro de título “Gente da Gente”, que é sobre os índios da Guiana. Recebi uma carta desse escritor, Dr. Collin, lá de Londres, pedindo licença para traduzir o meu livro "Cante Lá que eu Canto Cá" em língua inglesa. Eu disse a ele que sim. E ele disse: "Olha, Patativa, o apresentador e o tradutor, que sou eu, não quero ganhar um centavo neste trabalho. Será todo seu. E você querendo poderá oferecer à Fundação Pe. Ibiapina". Pois bem, isto aqui é uma história, é uma parte da história da minha vida. Tudo isso eu tenho feito sem deixar o meu trabalho de roça lá na Serra de Santana, lugar onde eu nasci, tenho vivido e hei de viver o resto da vida, porque nunca me habituei à vida da cidade, sempre o meu mundo foi a minha poesia e a minha família e onde eu quero viver o resto da vida. E ali mesmo eu hei de morrer, se Deus quiser, um dia, feliz.

Voltando do Pará e demorando uns dias aqui em Fortaleza, fui parar no Assaré. Lá recomecei minha vida de agricultor, nos meus 21 anos de idade. Quando cheguei aos 25 anos de idade, eu me casei com uma serrana, uma rapadeira de mandioca, uma cabocla que eu já conhecia desde menina, que é a Belarmina Gonçalves Cidrão, conhecida por Belinha. Aí comecei, recomecei, continuei, continuei a minha vida de casado, me senti muito feliz, e essa felicidade ainda hoje continua. Sou pai de sete filhos, quatro homens e três mulheres: Afonso, Pedro, Geraldo, João Batista, Lúcia, Inês e Miriam. É esta a minha família, é esse o meu mundo em que me sinto feliz e vivo entre eles e é por isso que eu quero estar sempre na Serra de Santana, pois é onde está toda essa minha família, todos continuando na vida do velho Patativa, tratando da agricultura, naquela vida pobre do camponês. A minha esposa muito paciente, muito trabalhadora, muito carinhosa e, graças a Deus, já estou com 70 anos, mas minha felicidade sempre continua, porque a felicidade, para mim, não é possuir dinheiro, não é ser um fazendeiro, não é esse estado financeiro muito franco. A felicidade consiste em a pessoa viver dentro da harmonia com todos e principalmente com seus familiares. E é por isso que me sinto muito feliz.

Em 1973, sendo convidado aqui para o sesquicentenário de Fortaleza, no mês de agosto, tive a infelicidade de ser acidentado. Ia atravessando a Av. Duque de Caxias, fui colhido por um carro e, quando recobrei os sentidos, eu já estava em cima da cama de operação, no hospital, e então foi uma infelicidade para mim. Bota gesso, tira gesso, e ali passei 11 meses e não recuperei. Então resolvi ir ao Rio de Janeiro, pois eu tenho parentes e amigos. Dr. Mário Dias de Alencar, que é meu parente e é filho de Assaré, mandou me buscar para o Rio de Janeiro. Ele não é ortopedista, ele é operador de outras coisas, viu? Mas me pôs lá no Hospital S. Francisco de Assis, onde um professor de ortopedia operou minha perna, pelejou, ainda houve duas operações, mas lá já cheguei retardado e foi obrigado a pôr um aparelho ortopédico. Com o auxílio do mesmo é que eu vivo me locomovendo e ando, vou por onde quero. Queriam amputar minha perna, mas eu me danei, não deixei. Não deixei, não. Eu não queria minha perna cortada, não. E o médico teimou comigo e disse: "Você não vai agüentar é um aparelho ortopédico, dói muito e você talvez até ainda tire ele pra mandar amputar a perna". Então fiz a seguinte pergunta: "Doutor, há perigo de infeccionar? A perna vai infeccionar com este aparelho ortopédico?". Ele disse: "Não, não infecciona, não. Dói é muito pra que você possa se acostumar". Eu digo: "Ah, doutor, pois eu já sei que me acostumo. Eu sou é cabeça do mato, acostumado a levar pancada de pau quando estou brocando, coice de animais, quanta coisa tem. Eu já tô acostumado com o embate da vida". Aí então botou o aparelho ortopédico, doeu por mim, parente, amigo, o diabo a sete, mas me acostumei e hoje estou andando para onde quero, embora com dificuldade, mas não me dói. Em compensação eu não relembro aquele verso, mas pelo menos meu acidente foi no dia 13 de agosto e eu não tenho superstição. E o povo sempre comentava: "Mas Patativa, além de ser no mês de agosto, ainda mais no dia 13. Você foi muito infeliz, porque este mês, não sei o quê...". Então fiz este soneto:

    Foi a 13 de agosto que um transporte

    me colhendo quebrou a minha perna

    e ainda hoje padeço o duro corte

    que me aflige, me atrasa e me consterna.

    Diz alguém que esta data é quem governa

    os desastres, nos dando triste sorte

    apesar da ciência tão moderna

    nossa estrela se apaga e não tem norte.

    Mesmo sofrendo a minha sorte crua,

    não direi nunca que esta culpa é tua

    13 de agosto de 73.

    Porém, tratado com desdém será

    e a classe ingênua não perdoará

    porque te chama de agourento mês.

Eu sou um caboclo roceiro que, como poeta, canto sempre a vida do povo. O meu problema é cantar a vida do povo, o sofrimento do meu Nordeste, principalmente daqueles que não têm terra, porque o ano presente, este ano que está se findando, não foi uma seca, podemos dizer que não foi a seca. Lá pelo interior, mesmo no município de Assaré, lá no Assaré, tem duas frentes de serviço, com muita gente. Mas naquela frente de serviço nós podemos observar que é só dos desgraçados que não possuem terra. Os camponeses que possuem terra não sofrem estas conseqüências e não precisam recorrer ao trabalho de emergência, como os agregados e esses outros desgraçados trabalham na terra dos patrões. E é isso que eu mais sinto: é ver um homem que tanto trabalha, pai de família e não possui um palmo de terra. É por isso que é preciso que haja um meio da reforma agrária chegar, uma reforma agrária que chegue para o povo que não tem terra. Por isso eu digo neste meu soneto "Reforma Agrária":

    Pobre agregado, força de gigante,

    escuta, amigo, o que te digo agora.

    Depois da treva vem a linda aurora

    e a tua estrela surgirá brilhante.

    Pensando em ti eu vivo a todo instante

    Minh´alma triste, desolada chora

    quando eu te vejo pelo mundo afora

    vagando incerto qual judeu errante.

    Para saires da fatal fadiga

    do invisível jugo que cruel te obriga

    a padecer situação precária,

    lutai altivo, corajoso e esperto

    pois só verás o teu país liberto

    se conseguires a reforma agrária.

Esta luta pela reforma agrária e pelo sindicato dos camponeses, mas o verdadeiro sindicato conduzido pelos próprios camponeses, procurando, reivindicando os seus direitos, é preciso que continue até chegar o tempo do camponês sofrer menos do que vem sofrendo. Precisa fazer como eu digo nos meus versos "Lição do Pinto", pois o pinto sai do ovo porque trabalha. Ele belisca a casca do ovo, rompe e sai. É assim que o povo também deve fazer, unido sempre, trabalhando.

Entrevista concedida a Rosemberg Cariry, no Crato, em 1979.



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